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Historia de Pirassununga

Contam-se dois séculos desde a chegada dos primeiros habitantes não indígenas ao território da atual Pirassununga. Vindos da região de Bragança, procuravam por novas terras, onde passaram a cultivar, entre outros produtos, a cana-de-açúcar, e a criar porcos e bois.

Em 1809, Christovam Pereira de Godoy instalou-se, com a família, escravos e animais, às margens do córrego da Barra, dando início à fazenda Santa Cruz, ainda hoje existente no município. Dez anos depois, chegou Ignácio Pereira Bueno, que se estabeleceu nas terras onde hoje se assentam os bairros centrais de Pirassununga.

Cerca de quarenta quilômetros para oeste, havia, na época, um considerável trânsito de tropas de burros, transportando sal, açúcar, cachaça, toicinho, arroz, feijão, couro, tecidos de algodão, lã, ferro, etc., pela estrada que ligava São Paulo a Goiás e Mato Grosso. Uma dessas tropas carregou, em 1819, as amostras de plantas e insetos coletadas por Saint-Hilaire, o mais famoso dos naturalistas europeus que percorreram o Brasil nos séculos XVIII e XIX. Quando, em livro, descreve a região mais próxima da atual Pirassununga, SaintHilaire cita as novas fazendas existentes ao longo da estrada, quase sempre de proprietários oriundos de Minas Gerais, e seus rebanhos de bois, porcos e carneiros. Relata também os sinais de desmatamentos já ocorridos e os muitos engenhos de açúcar em atividade, principalmente da freguesia de Mogi Guaçu para  o sul. Para o norte, havia a freguesia de Casa Branca e um grande vazio demográfico até a freguesia de Batatais, voltando a estrada a povoar-se nas proximidades de Franca. Os demais aglomerados da região – as cidades de Mogi-Mirim, Campinas e Jundiaí, ficavam também no eixo da estrada para Goiás. Apenas Constituição (atual Piracicaba), Capivari e Itu se localizavam mais a leste. A futura Pirassununga, portanto, ocupava a posição de frente pioneira, rumo oeste, diante de um sertão ainda povoado pelos nômades indígenas e coberto de florestas e mistérios. No ano seguinte à independência do Brasil, foi registrado o que se considera o marco de fundação de Pirassununga. Em 6 de agosto, o padre Felippe Antonio Barreto celebrou, em construção ainda tosca, a primeira missa nas terras que, cerca de vinte anos adiante, Ignácio Pereira Bueno doaria, em escritura pública, para a construção da igreja do Senhor Bom Jesus dos Aflitos. No mesmo ano da doação, 1842, a Lei 13 criou uma nova freguesia (paróquia) no termo (município) de Mogi Mirim, sediada na igreja de São Bom Jesus dos Aflitos de Pirassununga. Quatro dias depois, a Lei 25 transferiu a nova freguesia para o termo de Limeira.

Mais vinte e três anos foram necessários para a definitiva emancipação: em 22 de abril de 1865 a Lei 76 estabeleceu a Vila de Pirassununga. Dessa época para o final do século, a expansão do povoamento da província de São Paulo em direção oeste, que outrora levara os pioneiros de Bragança para além da estrada de Goiás, teve novo impulso com a chegada do café. Com ele vieram os imigrantes europeus e as ferrovias. Em 1878 foi inaugurada a estação Pirassununga da Companhia Paulista.

A frente pioneira já se distanciara, e Pirassununga prosperava. Estrada de ferro, telefone, abolição do regime escravocrata, República, eletricidade… muitas novidades acompanharam a passagem para o século XX. Com trinta e cinco anos de independência, Pirassununga já não era mais Vila, e seu território não era mais Termo: desde o final do Império, passara a ser Cidade, sede do Município. Nele viviam, em 1900, dez mil e quinhentos habitantes, em sua maioria na zona rural, cultivando principalmente café.

 O novo século, para Pirassununga, foi bem mais que um trocar de números: significou verdadeiramente um novo tempo, materializado principalmente nas instituições, que chegaram e marcaram definitivamente o caráter da cidade. A primeira delas, sem dúvida, foi a Escola Normal, hoje Escola Estadual Pirassununga. Quando foi inaugurada, em 1911, era uma das cinco existentes em todo o Estado. Nesse mesmo ano foi concluída a nova estação ferroviária, mais ampla e atualmente transformada em equipamento cultural. O segundo marco do século, cerca de dez anos depois, foi a industrialização, que se iniciou com a produção em escala da tradicional aguardente, até então produzida artesanalmente. Com isso manteve-se no município o cultivo da cana-de-açúcar, apesar da vitalidade da produção cafeeira. Durante a Segunda Grande Guerra, duas das maiores entidades hoje presentes no município iniciaram seu processo de transferência para terras pirassununguenses: a Academia da Força Aérea, então Escola de Aeronáutica, e o Forte Anhangüera, à época denominado Núcleo do Segundo Batalhão de Combate da Divisão Motomecanizada. Em meados da década de 1950 foi pavimentada a rodovia Anhangüera, cujo traçado deslocou para Oeste o eixo do antigo caminho de Goiás, favorecendo Pirassununga.

O Brasil iniciava o que se chamou “era rodoviária”, quando as ferrovias começaram a perder sua importância. Em 1971 concluiu-se a transferência da Academia da Força Aérea, com a notável Esquadrilha da Fumaça deixando as antigas instalações no Rio de Janeiro. Dois anos depois as unidades militares que compõem o Forte Anhangüera completaram sua transferência de Valença. Em 1979 criou-se, em Cachoeira de Emas, o Centro Nacional de Pesquisa de Peixes Tropicais (CEPTA), subordinado ao IBAMA, outro marco importante para a cidade. Ainda na década de 1970 teve início a desativação do Ramal Descalvado da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, e a imponente estação de Pirassununga recebeu seus últimos passageiros em 1977. A década seguinte, porém, trouxe a duplicação da rodovia Anhangüera, ao mesmo tempo em que se completava a pavimentação da malha rodoviária do Estado, alcançando praticamente todas as sedes municipais. Em 1989 instalou-se no município o maior entre todos os campi da Universidade de São Paulo, o Campus Pirassununga, ocupando a fazenda que sediava a antiga Escola Prática de Agricultura.

Na passagem para o terceiro milênio, Pirassununga apresentou-se inegavelmente consolidada. Seus quase setenta mil habitantes, agora concentrados na zona urbana, podem optar entre indústrias, agricultura, pesquisa e turismo para empregar sua força de trabalho. A municipalidade, por sua vez, proporciona cultura, saneamento e lazer para toda a população, garantindo seu alto desenvolvimento. Este avanço pode ser verificado no IDH da cidade: 0,839, bem acima da média do Estado.

Fonte: http://www.donizetegeografo.com.br/