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ITALIANOS PRODUZIRAM A CACHAÇA QUE DEU FAMA A PIRASSUNUNGA

Italianos produziram a cachaça que deu fama a Pirassununga

ITALIANOS PRODUZIRAM A CACHAÇA QUE DEU FAMA A PIRASSUNUNGA

No último  dia 13 de setembro, foi o Dia Nacional da Cachaça.

Pirassununga é conhecida dentro e fora do país pela qualidade da cachaça que produz e exporta. Uma história que teve início há muitos anos, graças à união, perseverança e perspicácia dos imigrantes italianos que aqui chegaram.

Na região rural do município, em pequenos e rústicos alambiques, os imigrantes italianos experimentavam e discutiam entre si a pinga que produziam. Trocavam ideias, avaliavam resultados e, aos poucos, iam corrigindo e equilibrando os níveis de acidez, etc e tal. Essa troca de informações, a principio sem interesses comerciais, fez a diferença.

Segundo o pesquisador Manuel Pereira de Godoy, no livro “Contribuição à História Geral e Natural de Pirassununga”, de sua autoria, 728 famílias italianas aqui chegaram e se fixaram a partir do ano de 1852.

O empresário Roberto Therense, um dos sócio-fundadores da Cachaça 51, filho de italianos oriundos de Tivoli, região norte da Itália, conta que, para produzir pinga em pequena escala, serviam-se de engenhocas de cebola movida a fogo, sem caldeira, tocadas a burro. Era tudo muito precário.

No início, o que fabricavam era apenas para consumo próprio ou para presentear parentes e amigos. Não havia outro interesse senão o de produzir uma bebida de qualidade apurada, inigualável – a exemplo do vinho que faziam na Itália – com sabor e aroma característicos.

Com esse firme propósito, os italianos de Pirassununga alcançaram um padrão de qualidade, que na época não existia em relação à bebida. Na verdade, começaram a produzir uma aguardente tão diferenciada, para ser prazerosamente apreciada. “Era uma pinga especial, pura, inigualável”, diziam os moradores mais antigos.

A notícia logo se espalhou. Chamou a atenção, entre outras personalidades, dos governadores de São Paulo, Carlos Alberto Alves de Carvalho Pinto (1959 a 1963) e Adhemar Pereira de Barros (1947 a 1951/1963 a 1966), e do presidente da República, Jânio da Silva Quadros (1961), que aqui estiveram para provar a bebida direto da fonte.

“Em Pirassununga, no passado, mais de 40 famílias chegaram a movimentar pequenos alambiques, alguns até hoje em atividade, conta Roberto Therense. E cita, produtores tradicionais, como Antonio Arnaldo Naressi, Genor (Baiu) e Gilberto Scherma.

“Já tivemos aqui mais de 200 marcas de pinga”, disse Roberto Therense. Algumas dessa raridades estão expostas no Museu da Cachaça da Adega Therense, na avenida Painguás 969, que reúne mais de 2.000 marcas.

Tradição de pai para filho

Alguns italianos de origem lutam para manter essa tradição em Pirassununga. Há 89 anos, a família Naressi já produzia uma pinga muito elogiada no pequeno alambique instalado no sito Boa Vista, região rural do município.

Tudo começou no ano de 1925 com o agricultor José Naressi, tradição seguida desde 1940 pelo filho Antonio Arnaldo Naressi, 85 anos. Hoje, é o filho Naressi, o ex-goleiro do CAP – Clube Atlético Pirassununguense -, quem garante a continuidade do negócio.

Fonte:  http://www.jcregional.com.br/italianos-produziram-cachaca-que-deu-fama-pirassununga/

Jornalista e Radialista Roberto Bragagnollo